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Um motor de limpador de para-brisas foi suficiente para que um grupo de pesquisadores da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) conseguisse criar um respirador artificial. Em menos de um mês, a equipe formada por professores e alunos do Câmpus de Ponta Grossa desenvolveu o protótipo do aparelho, para colaborar com a recuperação de pacientes internados com a Covid-19.

De acordo com o grupo Collab Air – responsável pelo projeto –, o ventilador mecânico foi criado após uma montadora de caminhões doar o motor de para-brisas. Batizado de “Air One”, o respirador custou apenas R$ 5 mil para ser produzido. O projeto chamou a atenção de algumas empresas, que doaram dinheiro para colaborar com a continuidade. O Ministério Público Federal e a Justiça Federal em Ponta Grossa também apoiam iniciativa. Os recursos captados já beiram os R$ 40 mil.

A ajuda externa vai possibilitar que as próximas versões do protótipo fiquem ainda mais baratas e possibilitem que os ventiladores sejam doados aos hospitais para o combate à Covid-19, afirma Joaquim Mira, um dos orientadores da pesquisa. “O nosso projeto é sem fins lucrativos. Os equipamentos não serão comercializados. Eles vão ser doados. Na segunda versão, como temos as parcerias, estamos estimando algo em torno de R$ 3,5 a R$ 4 mil, podendo reduzir ainda mais”, explica.

Segundo autoridades em saúde, o respirador mecânico é fundamental para o tratamento dos pacientes graves da Covid, que costumam apresentar quadros de insuficiência respiratória. O equipamento auxilia os pulmões na troca gasosa. Joaquim Mira afirma que ajudar os pacientes que estão neste estado motivou a produção da pesquisa.

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“A motivação maior foi essa situação da pandemia e a possibilidade de desenvolver um equipamento que pudesse ajudar nessa crise. Ele pode ser utilizado para pacientes que apresentam algum tipo de insuficiência respiratória, mas o foco principal do desenvolvimento foi que ele tivesse todos os recursos para atender pacientes acometidos com o Covid-19.”

Funcionamento
Para que a iniciativa chegasse a um resultado positivo em tão pouco tempo, o grupo coordenado por Joaquim Mira e Frederic Conrad contou com a participação de profissionais de diversas áreas do conhecimento. Além dos alunos das Engenharias Elétrica e Mecânica e da Ciência da Computação, Paula Motta, especialista em terapia intensiva e fisioterapia respiratória também colaborou.

Segundo Mira, os testes clínicos com o ventilador devem começar na próxima semana. A próxima etapa é aguardar a aprovação dos órgãos competentes, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O passo final, ele diz, é “montar 10 protótipos para fazer novos testes e disponibilizar para os hospitais”.

O orientador da pesquisa explica que o respirador artificial tem as mesmas funções e consegue desempenhar o mesmo papel que um ventilador convencional, o que torna ainda melhor o custo-benefício.

“O equipamento que nós estamos desenvolvendo tem as mesmas funcionalidades básicas de um ventilador convencional. Ou seja, temos controle da ventilação por pressão ou por volume, controle da PIP, que tem que ser mantido no pulmão do paciente e outras funcionalidades disponíveis nos ventiladores tradicionais”, detalha. 

Item fundamental
Desde o início da pandemia do novo coronavírus, o Brasil enfrenta dificuldades para adquirir respiradores mecânicos e outros insumos no mercado internacional. Isso ocorre porque há muita concorrência entre os países afetados pela doença, quase que ao mesmo tempo.

A solução foi recorrer à produção nacional, ainda muito dependente de peças importadas. O Ministério da Saúde afirma que fechou a compra de 15,3 mil respiradores junto a quatro empresas brasileiras. O valor total das aquisições ultrapassa os R$ 700 milhões. Até a última terça-feira (26),  o órgão distribuiu 1,4 mil ventiladores mecânicos para os estados. 

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