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Nesta sexta-feira, 19, é celebrado o “Dia do Cinema Brasileiro”, e Juiz de Fora está relacionada à construção desta história. Afinal, o juiz-forano João Gonçalves Carriço (1886-1959) foi um dos pioneiros desta arte no país. Ele inaugurou na cidade, em 1927, o Cine Teatro Popular, com 500 lugares, com objetivo de promover diversão a preços populares. E fundou, em 1934, a Carriço Film. Embora grande parte do acervo da companhia encontra-se na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, no Museu “Mariano Procópio” é possível encontrar alguns itens de seu trabalho, como uma das câmeras utilizadas na época. O equipamento, em madeira, metal, couro e plástico, é de fabricação alemã e possui tripé e placa que identifica a empresa.

Além da câmera, o Museu possui algumas fotografias da companhia. A reprodução destas imagens foram expostas em 2019, na Galeria “Espaço Reitoria”, no Campus da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). A atividade fez parte da programação do “Corredor Cultural”, da Fundação “Alfredo Ferreira Lage” (Funalfa) e contou com outras fotografias que pertencem ao acervo da Família Carriço. Na trajetória da companhia Carriço Film, o destaque é a produção de cinejornais e documentários, que retratam a vida social e política da cidade: visitas do presidente Getúlio Vargas ao Município, comícios políticos, festas populares e religiosas e eventos esportivos, além das primeiras experiências de transmissão de televisão em Juiz de Fora.

As imagens do acervo fotográfico do Museu ganham destaque como objeto de estudo para trabalho acadêmico realizado pela jornalista Renata Vargas, através do Programa de Pós-Graduação em História, da UFJF. A pesquisa segue a biografia do trabalho de Carriço, desenvolvido na cidade e com repercussão nacional, já que os cine-jornais produzidos por sua companhia foram exibidos em salas de cinema por todo o país. Renata pontua as coberturas feitas no período de atuação da companhia, destacando diversos aspectos de Juiz de Fora, principalmente a vida social, a cultura, o comportamento, a política, o desenvolvimento e até mesmo a arquitetura da cidade nas décadas de 30, 40 e 50. O trabalho está sendo orientado pelo professor e escritor Jorge Ferreira, autor de diversos títulos, dentre eles, a biografia de João Goulart.

A Carriço Film encerrou suas atividades em 1959, ano da morte de João Carriço. O último cinejornal por ela produzido foi sobre o enterro do próprio João Carriço, com imagens feitas por seu filho Manuel Carriço. O Cine Teatro Popular continuou em funcionamento até 1966. Algumas fotografias do acervo serão publicadas nas redes sociais do museu, como imagens do carnaval de Juiz de Fora.

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“Dia do Cinema Brasileiro”

Em 19 de junho de 1898, a bordo do navio “Brésil” que vinha de Bordeaux, França, com destino ao Rio de Janeiro, estava o italiano Afonso Segreto. Na Europa, ele havia feito curso de operação de cinematógrafos e, na travessia até o Brasil, trazia uma câmera. Antes de desembarcar, Segreto registrou sua chegada. As imagens da Baía de Guanabara, que o italiano gravou naquele dia, seriam as primeiras gravadas em território nacional, marcando o início do cinema no país. Uma referência, o feito de Segreto consagrou o dia 19 de junho como data dedicada ao cinema brasileiro.

Foto: Vinícius Ribeiro

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